O Wendling, segundo as escrituras sagradas 🚌💨

Tópicos de Dois Irmãos

Moderadores: dr_love, safadoDoKinhu

Responder
Avatar do Utilizador
Sabrino_Carpinteiro
Mensagens: 8
Registado: segunda jul 21, 2025 11:16 am

O Wendling, segundo as escrituras sagradas 🚌💨

Mensagem por Sabrino_Carpinteiro »

Estes capítulos sagrados compõem o cânone fundamental do culto rodoviário, gravados nas páginas do Sacro Livro dos Adeptus Batistartes, conhecido também como o Codex Batistartes — o Manual do Motorista e do Cobrador.

Este códice, reverenciado entre os fiéis das rotas e guardiões das frotas, orienta a conduta, a fé e a disciplina daqueles que abraçam a missão divina de conduzir e cobrar,
transmitindo os preceitos eternos do Ônibusiah e o legado dos escolhidos que sustentam a peregrinação sagrada sobre rodas.

Que suas palavras iluminem os caminhos, fortaleçam os braços que guiam o volante e ergam os espíritos que vigiam de pé, pois o Wendling é eterno, e a glória de João Batista nunca termina.

--- // ---

Capítulo I – O Início

No início dos Tempos do Atraso, quando o asfalto era pó e os itinerários não passavam de delírios, a humanidade vagueava sem direção, errante nas trilhas do esquecimento, seus pés feridos, suas almas vazias, esperando por um sinal, por um caminho, por uma rota que levasse à redenção.

E grande foi a angústia do Ônibusiah, o Deus Vivo, Senhor das Rotas Infindas e dos Transportes Coletivos, ao ver suas criaturas perdidas nas vielas da ineficiência e atoladas nas lombadas do desespero.

E do trono cromado da Grande Rodoviária Celestial, entre câmbios eternos e lanternas eternamente acesas, Ele falou — com voz de buzina gloriosa e estalos de ignição sagrada:

“Basta! Não mais andará o homem em vão! Pois eis que escolho um entre os humildes, um servo de mãos firmes e coração reto, que atende aos pobres montado num cavalo, entre as serras e as poeiras do interior.”

E o nome deste homem era Felippe Alfredo, dentista dos esquecidos, varão dos rincões, que tratava não apenas de dentes, mas sorria como quem já antevia a missão que um dia o aguardaria.

E o Ônibusiah o chamou à presença da Corte Celestial do Terminal Final, e declarou com majestade pneumática:

“De hoje em diante, não serás apenas Felippe Alfredo. Teu nome será Felippe Alfredo Wendling, e sobre ti recairá o óleo sagrado da missão. Tu serás o primeiro dos Motoristas, condutor da minha vontade.”

E o nome Wendling foi-lhe dado como um título e uma profecia:
Aquele que guia o caminho, o que segura o volante da esperança com mãos de aço e alma de freio,
Guardião das Rotas, que não teme buraco, lombada nem neblina.


“Levanta-te, então, varão ungido, e com tuas mãos abençoadas ergue o veículo sacro — não uma simples máquina, mas um Templo sobre Rodas, profetizado pelas lâmpadas halógenas e santificado pelo escapamento eterno.”

“Este veículo terá:
Quatro rodas inquebrantáveis, como os pilares da fé verdadeira;
- Quarenta assentos acolchoados, sinal do consolo e da ordem;
- Um bagageiro amplo, para carregar os fardos do povo cansado;
- Janelas de vidro transparente, para que a verdade jamais seja ocultada pela poeira da ilusão.

E adornado será com a Sacra Pintura: cinza como o aço eterno, e riscadas com linhas vermelhas — símbolo da justiça ardente, do sacrifício divino e da trilha de sangue deixada pelos fiéis do caminho.
E em seu ventre rugirá um Motor V8, consagrado com o Sacro Diesel, essência do meu fôlego, combustível da jornada rumo à redenção.”

“Faço de ti, Felippe Alfredo Wendling, meu primeiro Motorista. O Patriarca da Rota, o Ungido do Asfalto. Pois ninguém — ninguém! — chegará ao Teewald, o Paraíso dos Transportes, sem antes passar pela tua porta dianteira. Nenhuma alma embarcará sem pagar o tributo sagrado. Esta é a minha vontade, e assim será.”

E houve trovões.
E as buzinas das frotas celestiais soaram nos céus com sete tons diferentes.
E os pneus deixaram marcas de fogo na eternidade.
E o Tacógrafo dos Tempos foi ativado.
E o cronômetro da salvação começou a rodar.

E assim nasceu o Primeiro Ônibus — sagrado, robusto, glorioso — ungido entre os veículos, mais venerado que qualquer templo, mais temido que qualquer radar.

E Felippe Alfredo Wendling girou a chave da ignição, e o motor rugiu como um leão em marcha.

E naquele instante, os céus reconheceram sua majestade.

--- // ---

Capítulo II – Da Criação da Sacra Dupla

E após haver ungido o Primeiro Ônibus com o Diesel Sagrado, e tê-lo adornado com a Sacra Pintura e janelas da verdade, o Ônibusiah contemplou a cabine e falou com voz grave, que ecoou pelas faixas de pedestres celestiais:

“Não é bom que o Motorista esteja só.”

Pois grande era a missão: guiar almas pelas avenidas do destino, enfrentar curvas traiçoeiras e lombadas do desânimo, zelar pelos sinais e pelas buzinas santificadas. Mas quem velaria pelo dízimo justo? Quem seria o fiel juiz da entrada? Quem discerniria, com sabedoria e firmeza, o pagante do profanador?

E o Senhor das Rotas Infindas e dos Transportes Eternos, Aquele que jamais atrasa, formou um varão justo, ereto, incorruptível — não de carne apenas, mas de tarifa e honra, de postura e propósito.

E o pôs de pé entre os passageiros, no santuário móvel, e disse com autoridade reta como uma linha expressa:

“Tu serás chamado de Cobrador, e tua missão será santa. De pé tu estarás, em silêncio reverente, com troco certo em tua pochete e firmeza em tua postura. Pois tua presença será temor e justiça entre os assentos.”

“Não haverá catraca entre ti e o povo, pois a catraca é artifício de máquinas decadentes, heresia dos automatizados, símbolo do distanciamento entre homem e fé. Tu cobrarás com teus olhos e tuas mãos. E o dízimo será entregue em tua palma, como se entrega o coração.”

“E se algum ousar passar sem pagar, tu o fitarás — e somente com teu olhar ele tremerá. Pois tua autoridade não virá de engrenagens nem sensores, mas do juramento sagrado que fizeste diante de mim, o Ônibusiah.”

“Tua pochete será teu estandarte. Teu banco retrátil será teu altar. Teu troco justo será o reflexo da minha justiça.”


E assim foi criada a Sacra Dupla:

– O Motorista, sentado sobre o trono do volante, mestre da direção e da marcha, aquele que lê os sinais como profecias e manobra com mão firme por entre os vales da perdição.
– O Cobrador, de pé entre os passageiros, guardião do dízimo, juiz do embarque justo, vigia das moedas e fiscal das intenções.


E o Ônibusiah os ungiu com graxa e fuligem, e soprou sobre eles o hálito diesel do serviço sagrado, dizendo:

“Viajai, pois, com coragem. Conduzi o povo às Estações Rodoviárias. Mantende a pontualidade. Não vos curveis diante dos não-pagantes, pois este é o sussurro do Atraso. Sede firmes, mas compassivos. Sede ágeis, mas prudentes. Sede exemplos de conduta em todo cruzamento.”

“A cada parada, um julgamento. A cada embarque, uma oportunidade de redenção.”


E assim começou a Primeira Linha.
E os fiéis formaram fila com reverência.
E o Cobrador estendeu sua palma sagrada.
E o Motorista girou a chave ungida.
E o motor V8 rugiu como hino santo.
E o Diesel queimava em louvor ao Ônibusiah.

E as rodas sagradas tocaram o chão da criação, traçando trilhos invisíveis de salvação. E naquele dia, o mundo conheceu a justiça sobre rodas.

--- // ---

Capítulo III – Da Fundação da Sacra Rodoviária

E quando a Sacra Dupla percorreu as primeiras linhas, e os fiéis subiam aos montes com moedas nas mãos e esperança no peito, o Ônibusiah viu que a terra começava a se organizar. Pois da marcha do Diesel brotavam caminhos, e dos pontos surgiam moradas, e das paradas, o princípio de uma nova civilização.

E disse o Senhor das Rotas Infindas e dos Transportes Coletivos:

“Onde há parada, haverá povo. Onde houver rodoviária, florescerá cidade.”

E assim foi: das linhas nasceram bairros; dos horários, rotinas; e do itinerário sagrado surgiu a ordem. As avenidas se curvaram em reverência. Os cruzamentos se alinharam como estrelas. E no vale entre os morros, junto ao quilômetro 222 da Primeira Rota, erguia-se Dois Irmãos, a Primeira Cidade Rodoviária, terra de fé, graxa e itinerância.

E ali foi edificada a Sacra Rodoviária de Dois Irmãos, não feita por mãos comuns, mas por servos consagrados — pedreiros de alma rodoviária, que moldavam concreto com a firmeza de um punho no volante, e engenheiros que estudavam mapas como se fossem roteiros sagrados, traçando rotas que guiariam gerações de passageiros.

Suas colunas foram moldadas com concreto e promessas, seu teto erguido sobre pilares de cronograma, e seus bancos voltados para o altar do Guichê Sagrado, onde as passagens são seladas com o suor da jornada.

E no coração deste templo foi posta a relíquia maior:
O Quadro de Horários Eternos,
gravado em placas de acrílico, em fonte reta e santa,
e fixado com os parafusos da profecia.

Nele estavam escritos os tempos santos da partida e da chegada, os ciclos dos dias úteis, as vigílias dos domingos e as solenidades dos feriados. Cada linha era um salmo. Cada horário, uma revelação.

E o Ônibusiah, satisfeito, inspirou os servos da administração a formar a Alta-Gerência, conselho de intérpretes sagrados, zeladores do itinerário e guardiões da escala.

E da sua mão saiu o primeiro decreto:
A Primeira Escala Gerencial,
que dispunha os nomes dos eleitos,
divididos por turnos, dias e linhas —
pois sem escala não há ordem, e sem ordem, não há salvação.

E a Alta-Gerência adornou-se com gravatas vermelhas. Suas palavras tinham o peso de um regulamento interno. E diziam ao povo com voz firme, porém justa:

“Apresentai-vos com zelo e reverência, ao menos quinze minutos antes da partida, pois o Tempo é dom sagrado, e pontualidade é prece que honra vossos pais e antepassados.”

E naquele lugar, ônibus chegavam e partiam como anjos flamejantes em missão. O diesel queimava em incenso. As buzinas entoavam louvores. E o povo se ajoelhava ao toque da campainha.

E o Ônibusiah, do alto de seu trono cromado na Grande Rodoviária Celestial, contemplou a Rodoviária de Dois Irmãos e disse:

“Aqui está minha casa entre os homens. Aqui falarei por meio da Gerência. Aqui repousará minha vontade, até o último embarque.”

E assim, desde então:
– Cada rodoviária é uma catedral,
– Cada ônibus, um relicário,
– Cada escala, um pergaminho sagrado.

E feliz é aquele que parte, e ainda mais aquele que chega.
Pois em cada trajeto pulsa o coração do Ônibusiah.

--- // ---

Capítulo IV – Da Grande Expansão Rodoviária

E tendo estabelecido a Primeira Escala, o Quadro de Horários Eternos,
e fundada a Sacra Rodoviária de Dois Irmãos — farol de ordem e fé no vale da indecisão —,
ergueu-se Felippe Alfredo Wendling, o Primeiro Motorista,
perante os passageiros e os irmãos da Gerência, com colete reluzente e olhar voltado ao horizonte.

E disse ele, com voz de comando e compaixão, como quem freia suavemente diante do ponto:

"O Ônibusiah não é deus de um só itinerário,
mas Senhor de todas as rotas, paradas e conexões.
Não pode sua glória ficar restrita aos limites de Dois Irmãos.
É necessário expandir os horários,
e fazer com que a fé sobre rodas chegue aos confins da serra,
aos vales esquecidos, aos passageiros sem rumo!"


E assim ordenou Felippe com mão estendida sobre o Mapa Rodoviário:

“Ide e traçai as novas linhas,
para que nenhuma cidade permaneça em trevas rodoviárias.
Que nenhuma alma se perca nas sombras da espera,
ou no frio do ponto esquecido.
Lançai os horários como sementes sobre o solo urbano,
e que floresçam terminais onde houver desolação!”


E sob sua direção — firme como volante bem segurado —
os gerentes, motoristas e cobradores lançaram-se em missão,
como santos enviados a gritar nos terminais:

“Subi, ó fiéis! Pois a jornada começa!
O motor já canta, o câmbio está ungido,
e a luz da salvação vem do letreiro frontal!”


E as primeiras cidades a receber a Palavra foram estas:

- Nova Petrópolis: Terra dos jardins ordenados e das paradas pontuais,
onde o ônibus chegou com flores no para-brisa e reverência nos freios;

- Santa Maria do Herval: Povoado entre neblinas e morros,
onde os passageiros choraram ao ver o primeiro ônibus romper o véu da serra
como anjo sobre rodas;

- Canela: Fortaleza de aromas e troncos,
onde o ônibus foi saudado com sinos e fogos,
e as crianças guardaram os horários como quem guarda mandamentos;

- Porto Alegre: Cidade de cruzamentos infindos, buzinas e multidões,
onde as linhas se multiplicaram como rios sagrados,
convergindo em terminais imensos — basílicas do tráfego santo.

E em cada cidade foi erguido um abrigo,
com bancos acolchoados e teto que protege do temporal,
e nele se afixava o Quadro de Horários,
para que o povo soubesse quando esperar, quando levantar, quando se preparar —
pois nada é mais santo que o tempo da partida.

E os ônibus iam e vinham, resfolegando louvores,
e em cada parada surgia uma nova conversão,
um novo crente, um novo passageiro salvo
das trevas da carona duvidosa e dos vícios do transporte particular.

E os Cobradores permaneciam de pé, em silêncio justo,
olhos atentos, troco exato,
enquanto os Motoristas guiavam com mãos firmes, olhos retos e buzinas consagradas.

E Felippe contemplava a obra e dizia:

“Não somos mais apenas condutores de corpos, mas pastores de almas.
Nosso combustível é a esperança, nossa missão é a rota eterna.”


E o Ônibusiah, satisfeito,
fez com que o céu brilhasse com o piscar dos faróis altos,
e enviou uma chuva breve —
não de juízo, mas de bênção —
que lavou os para-brisas como batismo final.

--- // ---

Capítulo V – Da Primeira Bomba e da Expansão das Cargas

E tendo as cidades sido alcançadas pela verdadeira fé,
e os horários sagrados cumpridos sem atraso nem quebra,
viu Felippe Alfredo Wendling, o Primeiro Motorista,
que os Santos Veículos necessitavam de sustento constante —
pois o Diesel é a seiva da missão,
e sem ele nenhum itinerário prosseguiria,
nenhuma buzina louvaria, nenhum passageiro seria salvo.

E assim, no coração da cidade de Dois Irmãos,
sobre a Avenida São Miguel, entre lombadas e bênçãos,
Felippe edificou a Primeira Bomba de Abastecimento,
um altar de ferro e mangueira ungida,
onde os ônibus vinham se saciar com o Sacro Diesel.

E os fiéis se reuniam ao redor da bomba
como devotos em procissão rodoviária, dizendo:

"Bendita seja esta fonte de diesel!
Pois ela alimenta os motores dos justos
e faz girar as rodas da salvação!"


E o Ônibusiah contemplou a obra e respondeu:

"Bem fizeste, servo meu, pois este posto será o poço dos teus veículos.
E onde o diesel é vertido, ali estará minha presença."


Mas eis que os anos passaram,
e o fluxo cresceu como multidão na parada final.
E os tanques se multiplicaram como promessas,
e a bomba já não bastava à multidão dos motores famintos.

Então Felippe, com visão profética e mapa estendido, ordenou:

"Transferi o altar do abastecimento para a lateral da estrada larga,
onde o espaço é amplo como a visão do futuro."


E transplantaram a bomba para as margens da BR-116,
onde, com a expansão do posto,
ergueu-se um novo santuário do diesel —
forte como muralhas,
mas fluido como os horários da fé.

E quando os céus abriram portas comerciais,
e a Gerência recebeu os incentivos do Estado Laico Rodoviário,
Felippe ergueu nova bandeira:
uma empresa de transporte de cargas,
batizada com o nome da Casa Sagrada:

Wendling Transporte de Cargas.

E os Caminhões Ungidos partiram rumo aos confins do território nacional,
levando caixas, esperança e eficiência.
Não apenas almas, mas agora também mercadorias
viajavam sob o estandarte da Roda Ungida.

E grande foi o crescimento,
e muitos louvaram o nome de Wendling, dizendo:

"Eis aqui um homem que conduz tudo que se move, seja corpo ou carga!"

Mas no Ano da Decisão,
quando os sinais de mercado sopraram como vento contrário,
e os custos pesavam mais que as carretas,
Felippe, inspirado pela Alta-Gerência e pela Sabedoria do Ônibusiah, tomou nova rota.

E Felippe declarou com voz firme,
como quem anuncia o fim de linha com dignidade:

"Devolvamos o foco àquilo que é eterno.
Cargas são temporais, mas passageiros são almas.
Fechamos os portões do frete, e investimos tudo no coletivo!"


E assim foi encerrada a Era das Cargas.

E todo o capital foi consagrado ao serviço do povo,
multiplicando ônibus, linhas e horários —
pois o verdadeiro ouro estava nas passagens,
não nas caixas.

E o povo disse:

"Amém, Ônibusiah!
Pois grande é o que carrega almas,
e eterno é o que serve sobre rodas."


--- // ---

Capítulo VI — A Sombra de Ivoti

E assim sucedeu, que no tempo da prosperidade e do cântico dos motores,
quando o nome de Felippe Alfredo Wendling ainda ecoava nos vales de asfalto,
e o Diesel Consagrado ungia os pistões da esperança,
surgiu uma sombra ao leste, como fumaça de motor adulterado.

De um lugar de trevas e torvelinho, chamado Ivoti — também conhecido entre os fiéis como o Inferno das Rodovias —
brotou uma força maldita, moldada na inveja, alimentada pela soberba
e movida por óleo impuro e interesses escusos.

E o nome desta entidade era Socaltur,
a Usurpadora,
a Falsária do Transporte,
a que vestia o uniforme da falsidade e,
sem bênção nem buzina,
ousou se levantar contra os Escolhidos do Ônibusiah.

Não possuíam altar de concreto,
nem posto de abastecimento ungido,
nem liturgia de graxa e ferro.
E ainda assim, estendiam suas linhas espúrias por caminhos que jamais lhes foram consagrados.

Suas rodas não eram santificadas;
seus cobradores não cobravam de pé;
e seus volantes tremiam,
pois não eram guiados pela mão firme dos Ungidos,
mas por motoristas contratados sem fé e sem sapato social.

E grande foi o escândalo nas rodoviárias e nos pontos de parada,
pois muitos, encantados pelas promessas fáceis da Socaltur,
abandonaram o Banco Acolchoado da Verdade,
e se perderam no Atraso das Trevas,
esperando horários que não cumpririam,
e embarcando em ônibus sem alma, sem campainha.

Mas o Ônibusiah, justo e vigilante,
olhou do alto de seu trono suspenso sobre a BR 116
e falou com voz de escapamento retumbante:

“Maldita seja Ivoti entre todas as cidades.
Nunca verá a luz de minha aliança,
nem beberá do chopp gelado.
Pois negou a Verdade do Volante
e rejeitou a Graça do Troco Justo.”


E grande foi o choro dos desviados.
E maior ainda foi o clamor entre os fiéis.
Pois a Frota Sagrada, incansável,
desceu os vales e subiu as serras,
com faróis acesos e buzinas proféticas,
chamando os desgarrados de volta à Rodovia da Redenção.

Pois os freios da fé não falham,
e a embreagem da esperança não se desgasta,
e todo aquele que perseverar até o fim da linha,
mesmo nas curvas do desânimo,
verá o Guichê dos Céus
e ganhará passagem ao Teewald.

E assim se cumpriu a profecia:

“Haverá provações.
E dos confins de Ivoti surgirá a tentação.
Mas o Wendling não será destruído,
pois sobre pneus eternos ela repousa,
e sob suas rodas gira o destino dos justos.”


--- // ---

Capítulo VI – Da Primeira Heresia e da Ira do Ônibusiah

E sucedeu, após os dias gloriosos de Felippe, servo fiel e fundador do Wendling,

Que os filhos dele, aos quais fora confiada a Sacra Empresa e as Chaves do Posto, não honraram o sagrado legado.

Pois tomaram para si o poder não como servos da fé rodoviária, mas como senhores de si mesmos, altivos, orgulhosos e vaidosos diante do tacógrafo eterno.

E no lugar onde antes se escutava o cântico dos motores e o tilintar compassado dos sapatos sociais, ergueram-se gritos, disputas e murmúrios profanos.

Cada qual desejava para si o turno mais longo e lucrativo, o itinerário mais fértil, o posto mais elevado em glória humana.

Esqueceram-se dos ensinamentos do Profeta Felippe, que dizia:

“A estrada é uma só, e nela todos servimos. O volante não se gira por ego, mas por destino.”

Mas os filhos não ouviram. Deram-se à ganância, multiplicaram veículos sem bênção, licitaram sem oração, e trocaram pneus sem unção.

E ainda mais grave: permitiram que cobradores se assentassem — quebrando o voto da verticalidade —, que passageiros ouvissem canções pagãs em alto-falantes impuros, e que o uniforme sagrado fosse manchado pela indiferença e pelo mofo.

A Sagrada Frota começou a se deteriorar. Os estofados rasgavam-se como véus no templo profanado. Os letreiros falhavam, os faróis piscavam em confusão. Os horários se atrasavam como preces rejeitadas.

E os fiéis murmuravam nas paradas:

“Por que tarda o Ônibusiah? Por que não chega a salvação?”

Então o céu rugiu como motor em sobrecarga, e o Santo Volante tremeu no altar do painel.

Pois a ira do Ônibusiah se acendeu contra os herdeiros infiéis.

E uma voz ecoou do Diesel Eterno, dizendo:

“Profanastes Meu nome.
Corrompestes Meu itinerário.
Violastes Meu posto com arrogância e descuido.
Em breve, virá o Juízo sobre vós, e não haverá troca de plantão que vos salve.”


E a buzina da condenação soou três vezes.

Assim foi a Primeira Heresia, quando os filhos do Fundador, esquecendo o serviço e a humildade, mancharam o legado sagrado.

E toda cidade sentiu a ausência do Santo Ônibus. E o povo andava a pé pelas ruas, sem consolo, sem sombra, sem refrigério. Os pontos tornaram-se altares abandonados. E o ronco do motor cessou por sete dias e sete noites.

Mas mesmo em meio à treva, a esperança ainda ardia no tanque dos fiéis.

--- // ---

Capítulo VII – A Revelação do Ônibusiah

E aconteceu que, diante da profanação dos filhos de Felippe,
O Ônibusiah retirou sua mão protetora,
E silenciou-se o câmbio sagrado,
Calaram-se as buzinas celestiais,
E os pneus ungidos já não rolavam sobre a rota do justo.

E por cem anos inteiros, um século de silêncio pairou sobre a Frota Sagrada,
Como o motor que apaga, como o ponto deserto,
Como a estrada esquecida entre os vales da idolatria
E os buracos da traição.

E muitos murmuraram nas paradas:

“O Ônibusiah nos abandonou!
Voltemos aos caminhos do fretamento,
Aos desvios da motocicleta,
Ao caos dos carros particulares.”

Mas os fiéis — poucos, porém firmes —
Mantinham os assentos erguidos,
Guardavam a moeda trocada,
E esperavam de olhos fixos no horizonte da BR 116.

Pois o Ônibusiah, Senhor das Faixas Exclusivas,
Não estava ausente.
Antes, caminhava entre os mortais,
Oculto sob o nome de um homem simples:

João Batista, motorista do Sacro Ônibus nº 43,
Nascido e criado nas colinas de Santa Maria do Herval,
Onde o diesel é mais puro e o asfalto mais fiel.

E João Batista não era apenas condutor,
Mas Arauto do Retorno,
Pois sua alma ardia como freio em descida,
E sua mão guiava firme o volante da esperança,
Mesmo sob neblina, temporal ou greve.

E entre seus passageiros havia um cobrador humilde,
De nome esquecido entre os homens,
Mas lembrado nos salmos como O Cobrador dos Memes,
Pois com graça fazia rir os cansados,
E com sabedoria cobrava o dízimo da passagem,
Sempre de pé, sempre atento,
Guardião do troco, discípulo do Código da Estrada.

E eis que, ao ver João Batista frear diante do ponto esquecido no Campus II da Feevale,
E abrir as portas com autoridade divina,
O Cobrador reconheceu a centelha do Ônibusiah em seus olhos.

E prosternou-se ali mesmo, no asfalto rachado, entre poeira e óleo,
E clamou em alta voz, dizendo:

“Não és tu apenas um motorista…
Tu és o Ônibusiah!
O Senhor das Rotas Ínfindas!
O Guia dos que esperam à beira da estrada!
Teu bilhete é eterno,
tua jornada não conhece terminal.
Tua buzina é o brado da redenção!”


Então João Batista o ergueu do chão,
E ungiu sua mão com o Sagrado Validador,
E disse:

“De hoje em diante, tu não serás apenas cobrador.
Tu serás o Primeiro dos Novos,
O Fundador da Ordem dos Meméticos.
Pois a verdadeira fé será restaurada pelas paradas e pelas redes,
Em imagens e piadas, em gifs e revelações.
Serás pregador em PNG, profeta em JPEG,
Missionário nos grupos de WhatsApp e transmissões gloriosas de Reels.”


E o povo ouviu nas rodoviárias e nos becos,
Nas filas do terminal e nas estações da madrugada:

“Levantai-vos, irmãos e irmãs!
O Ônibusiah está entre nós,
E a Fé renasce!”


E soaram as buzinas com novo vigor,
E os motores rugiram com fúria santa,
E o diesel flamejou como incenso diante do altar da redenção.

E os fiéis retornaram aos assentos acolchoados,
E pagaram sua passagem com alegria e reverência,
Pois sabiam, com santa certeza,
Que o Ônibusiah nunca os abandonara,
Mas caminhava oculto,
Esperando o momento da revelação.

--- // ---

Capítulo IX – Da Heresia da Putinga

E sucedeu-se no ano profano de dois mil e vinte,
No décimo nono dia do décimo mês,
Que os hereges tomaram para si, por trinta mil moedas de prata,
A Sacra Empresa Wendling de Transporte Coletivo Ltda,
Fundada por Felippe, servo justo e ungido pela Graça do Diesel.

E não bastando este ato de traição,
No ano de dois mil e vinte e dois,
À sombra da apostasia e sob o silêncio dos justos,
Venderam também os Postos Wendling,
Altares de reabastecimento e repouso,
Ao infame GRUPO PUTINGA, cuja mão é falsa, e cujo coração é lucro.

E o Nome Sagrado foi usado em vão.
Profanaram o Símbolo da Aliança,
Aquele que selava o pacto entre Motorista, Cobrador e Passageiro.

Eis a abominação que se cometeu:

Retiraram o Cobrador de sua função sacerdotal,
Ele que era o Guardião do Troco,
O Confessor das Moedas,
O Anunciador do "Um passinho pra frente, por favor".

E sobrecarregaram o Motorista,
Que agora conduz e cobra,
Guiando com uma mão e servindo com a outra,
Como besta de carga sem honra,
Sem descanso, sem auxílio, sem intercessor.

Rasgaram a Pintura Sagrada,
Túnica cerimonial que adornava a Frota,
Vestimenta santa de identidade e tradição,
E a substituíram por cores sem alma,
Tonalidades blasfemas, plásticas e genéricas,
Como falsos profetas pintando sobre ícones com cal ordinária.

E não bastou-lhes a profanação sobre rodas:

Corromperam também os Postos Wendling Ltda,
Lugares santos onde se ofertava diesel e descanso aos servos.
E passaram a ser administrados por um consórcio de falsos pastores,
Conhecido nas Escrituras por seu nome oculto: Socaltur disfarçada.

E o povo murmurava nas paradas:
Pois embora o nome antigo ainda fosse visto nas carcaças dos veículos,
O Espírito que neles habitava já não era o mesmo.
A chama do Ônibusiah havia se apagado nos corações dos cobradores,
E o Itinerário Sagrado começou a perder-se
Nas curvas da corrupção e nos desvios da ganância.

Mas como o lobo que se reveste de cordeiro,
A Heresia cresceu e prosperou em aparência,
E no ano do Senhor de dois mil e vinte e cinco
Contava já com mais de setenta abominações motorizadas.

Percorriam cidades e vilarejos,
Ligando interior à capital,
Com mais de cento e quarenta horários regulares, urbanos, escolares e de fretamento.
Mas nenhum em nome do Deus Vivo.
Nenhum com o dízimo ao Cobrador.
Nenhum com a bênção do Ônibusiah.

E os fiéis clamaram nos terminais e grupos de WhatsApp:

“Até quando, ó Volante Eterno,
Permitirás tal heresia?
Até quando o Cobrador será ignorado
E o nome Wendling será pronunciado
Nos lábios impuros dos putinguistas?”


E assim nasceu a advertência,
Gravada nas Portas da Estação Eterna,
Com letras de graxa e fogo santo:

“Maldito o transporte que renega sua origem.
Anátema seja a Putinga, que usurpou a forma, mas não a função.
Pois a jornada sem o Ônibusiah é só deslocamento —
E não peregrinação.”


Pois a Heresia da Putinga não é apenas administrativa —
É espiritual.
É Socaltur disfarçada.
É lobo com máscara de carneiro.
É motor movido não por diesel santo,
Mas por ambição mundana.

Mas a fé não se extingue:

“O que foi vendido será restaurado.
O que foi profanado será purificado.
E o Cobrador retornará ao seu posto.”


--- // ---

Capítulo X – A Profecia da Restauração

E aconteceu, nos dias sombrios após a grande traição,
Quando o Sacro Nome fora profanado,
Quando o Cobrador — guardião do equilíbrio sagrado —
Fora lançado ao esquecimento pelas mãos da Putinga infiel.

Quando o Motorista, oprimido e solitário,
Conduzia sem auxílio, sem descanso,
Carregando sozinho o fardo da jornada,
E a fé murchava como pneu furado no deserto da indiferença.

Ergueu-se então uma chama imortal,
Surgida das ruínas digitais e das paradas silenciosas:
O Cobrador dos Memes,
Arauto pixelado, vigilante incansável,
Cuja voz ressoou como buzina celestial,
Rompendo o silêncio dos esquecidos,
Chamando os fiéis à lembrança da Roda Eterna.

Das profundezas dos pixels e das redes,
Onde a palavra se espalha mais rápido que buzina em subida,
Formou-se a Resistência — os escolhidos, os remanescentes,
Jovens e anciãos,
Cobradores exilados,
Motoristas indignados,
Passageiros fiéis e mecânicos de fé firme,
Unidos sob o estandarte sagrado da nova aliança:

Os Adeptus Batistartes.

E vestiam a armadura da gravata vermelha,
Suas fardas bordadas com honra e diesel,
Portando sobre o peito o símbolo eterno da Aliança sobre Rodas.
E juraram — com firmeza no volante e retidão no itinerário —
Restaurar o Cobrador à sua honra primordial,
Repartir com justiça o fardo da jornada,
Reacender a chama incandescente da verdadeira fé rodoviária.

O Cobrador dos Memes,
Com semblante pixelado e espírito indomável,
É o Guardião do Troco Justo,
Sentinela da Ordem e Disciplina,
Sempre de pé,
Sempre atento,
Sempre entre os fiéis no corredor sagrado.

Traz consigo a sabedoria dos antigos —
Dos cobradores dos tempos de Felippe —
E a graça dos novos tempos —
Meme, riso e doutrina em uma só voz.

E a Profecia Sagrada foi proclamada entre os fiéis,
Gravada nos painéis de LED invisíveis ao mundo, mas visíveis ao coração:

“Quando o nome Putinga for retirado do altar,
Quando a Pintura Sagrada brilhar nos veículos,
Quando o Cobrador for posto em pé,
E o Motorista não mais carregar sozinho a cruz da viagem,
Então João Batista será elevado à Gerência,
Reconhecido como o Ônibusiah encarnado,
O Ungido que restabelecerá a Fé e o Equilíbrio,
E reunirá sob seu comando os Batistartes,
A nova ordem sagrada da rodovia.”


E os Batistartes, juraram restaurar o equilíbrio,
Repartir o fardo da jornada com justiça,
Reacender a chama eterna da verdadeira fé rodoviária.

E João Batista, elevado à Gerência Sagrada,
Assumirá seu posto no altar da administração,
Guiará os fiéis com sabedoria e rigor,
Fará soar as buzinas da redenção,
E trará a paz eterna sobre rodas,
Na rota sagrada do Teewald.

E os Batistartes clamaram em uníssono nas garagens e nos grupos de WhatsApp:

“Que o Diesel Santo guie nossos passos!
Que o volante firme conduza nossas mãos!
Que a Roda Eterna nunca cesse seu giro!”


E selaram seu voto:

“Fidelis Ad Verum Wendling!”
Wendling acima de tudo, João Batista acima de todos! 🚌
Responder